Elis Silva

ELIS SILVA

Título em falta

O texto a seguir talvez possa ser bastante clichê, então, a recomendação para quem não gosta de clichês é: leia, rsrsrs, pois de toda leitura podemos tirar algo.

Em férias, fui buscar algo a assistir, e como uma pessoa que gosta bastante de documentários, a Netflix me traz a minissérie “Como viver até os 100: os segredos das zonas azuis”. E esse texto é pra falar apenas sobre o primeiro episódio e outras coisas do dia a dia.

Além de gostar de assistir documentários, sempre fui uma pessoa bastante cuidadosa com a vida, beirando até o medo (tenho pavor de roda gigante), daquelas que mesmo com o sinal aberto para o pedestre, aguarda até que a segunda fileira de carros pare totalmente, que atravessa a rua para não ser atingida por um pedacinho de grama sendo cortada (geração da sequência de “Premonição”), se entra num barco onde ninguém está de colete salva-vidas escolhe ser a única com ele, se preciso boto até boia no braço, sem neura… Faço exercícios regularmente, cuido da dieta, vou ao médico por bobagens. Medrosa, chata… o rótulo que for, com isso ainda acredito que não me cuido o suficiente e até algum tempo atrás acreditava que morreria antes dos 40 por causa dos descuidos.

Contextualizada essa telespectadora, a minissérie “Como viver até os 100” estreiou no fim de agosto, e é apresentada pelo Dan Buettner, escritor, explorador, ciclista que bateu recordes no Guinnes Book etc. Ele saiu em busca de comunidades com as pessoas mais longevas do mundo a fim de descobrir esse “segredo”, no primeiro episódio ele viaja até a ilha de Okinawa, e alguns dos tópicos assistidos parecem ser bem óbvios para alcançarmos essa longevidade:

  • consumo considerável de legumes (principalmente batata-doce roxa – obrigada Nutri por me indicar dar um valor maior aos tubérculos neste mês);
  • parar de comer quando estiver satisfeito;
  • não ter raiva ou não acumular maus sentimentos;
  • fazer agachamentos diários;
  • praticar movimentos rápidos;
  • melhorar o equilíbrio;
  • cuidar de um jardim;
  • ter um grupo social de apoio: explorar as conexões humanas para fugir da solidão (um dado importante, nos Estados Unidos ter uma vida solitária pode custar 15 anos da expectativa de vida!).

Mas, por que não conseguimos fazer coisas tão simples?

Não sou nenhuma especialista na área, e o que posso dizer é apenas sobre minha própria vivência: correria! Ou, falta de planejamento? Oportunidades? Dinheiro? Estou em férias, e planejei tudinho, e desse tudinho, muita coisa saiu de linha. E tudo bem, a essa altura da vida sempre paro pra pensar que o mais urgente é cuidar da mente, ter um descanso, tem dias que a gente precisa de folga do planejamento, simplesmente ter um ócio, e não precisa ser criativo não, é o puro “fazer nada” mesmo.

Como Marília Gabriel já disse um dia:

Escolho sempre um dia no mês para não fazer absolutamente nada, e a loucura do “voltar”: mensagens, sensação de que perdeu uma parte do mundo, coração palpitando. Chego a pensar se valeu à pena, se farei novamente, mas sei que valeu e que se possível farei mais de uma vez. Minha mente aprendeu que precisa desse tempo para não fazer absolutamente nada!

O “Título em falta” aqui fica proposital, o tempo como SEO me deixou “perturbada” pro resto da vida, até parar pra pensar num bom título para um texto do dia a dia.

Voltando à minissérie, durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha perdeu 200mil pessoas! E uma de suas sobreviventes diz aos seus filhos:

“Não importam as circunstâncias ou quanto dinheiro você tem, é possível sobreviver e enfrentar qualquer coisa.”

Obviamente, não há comparação pelo que passamos diariamente, muitos de nós não sofremos um trauma dessa magnitude; mas adicionando aos tópicos, existe um senso de “viver o agora” para essas pessoas, que cada vez mais vejo meus próximos deixando isso de lado.

Você também percebe como vivemos o agora pensando nos planos? No que precisamos fazer quando chegar em casa, qual o próximo compromisso (que horrível aqui lembrar das vezes em que estive num compromisso pensando em como seria o próximo). Como precisamos evoluir!

Também, li a palavra ikigai em algum post na rede LinkedIn, passei direto, e na época achei “bonitinho”, agora ouvindo na série, vários gatilhos me foram despertados sobre “o que estou fazendo aqui? em que momento perdi meu ikigai?”

Uma das personagens explica:

“O Ikigai é um tipo de missão, um senso de propósito. Ele é o principal fator de saúde espiritual dos centenários. Se perdermos o ikigai, nós morremos.”

Dan conclui esse episódio dizendo sobre a importância de manter a mente ativa e o corpo em movimento, que “os habitantes da ilha de Okinawa sempre ouvem: Você importa. Precisamos de você.” e “Quem tem senso constante de propóstio conhece o seu valor.”

Os gatilhos que eu disse foram sobre minha área, há algum tempo eu perdi muita coisa, muita mesmo, me vi sem chão, chorei por uns 3 dias até não conseguir ficar mais inchada, acordei com uma decisão e meu ikigai firme: “serei a melhor Designer Instrucional que eu conseguir ser e vou mudar a educação”.

E um dos temas relacionados ao meu TCC foi o “suicídio”, com ele muitos amigos e pessoas próximas me relataram sobre, outras à beira de angústias profundas trocaram comigo palavras importantíssimas sobre saúde mental. E toda semana leio um caso diferente de alguém que está à beira do surto em minha área (eu sei que vocês também devem ver isso ocorrer em outras) com demandas atropelando elas, e sei que são pessoas com planejamentos, estruturas, mas não importa: são pessoas!

Eu queria fazer mais por elas, por mim, não conseguimos abraçar o mundo, mas se tem uma coisa na qual acredito é sobre cada um poder colocar seu tijolinho nas transformações desse planeta. A minissérie parece ser legal, se puder assista, mas todo esse texto é pra reforçar:


VOCÊ IMPORTA. PRECISAMOS DE VOCÊ!

Empresas, gestores, CEOs (na esperança que algum leia isso): cuide dos seus, não só porque é “setembro amarelo”, dê atenção às pessoas durante todos os meses do ano, você será recompensado. As pessoas precisam trocar olhares, estejam elas felizes ou não. O trabalho não pode estar acima de nós.

Designers Instrucionais: é lindo que saibamos sobre toda parte educacional, produzir um storyboard, curar um conteúdo, gerenciar tarefas e projetos, editar tudo que é tipo de mídia… Mas você importa para toda essa cadeia educacional, eu sei que nem sempre a jornada é fácil, e nem sempre vamos conseguir aprender tudo isso, e está tudo bem (sério!), os passos iniciais que nos fazem agarrar tudo para conquistar aqueles meses de experiência para conseguir algo melhor. Mas, por favor, cuide do seu coração e da sua mente durante esse caminho. ❤

Talvez não vivamos até os 100 anos, mas enquanto vivermos precisaremos uns dos outros, pois ninguém faz nada sozinho!

Um abraço, Elis.

Abaixo, alguns links úteis para lhe ajudar:

  • Você pode encontrar ajuda no Centrode Valorização à Vida (CVV): disponível 24 horas por telefone e no seguinte horário por chat: Dom – 17h à 01h, Seg a Qui – 09h à 01h, Sex – 15h às 23h, Sáb – 16h à 01h. Também pelo link: https://www.cvv.org.br/, realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.
  • Site do Setembro Amarelo: o reconhecimento dos fatores de risco e dos fatores protetores é fundamental e pode ajudar. Se você acha que está tendo problemas relacionados à sua saúde mental ou conhece alguém que está passando por alguma dificuldade, procure um de nossos psiquiatras associados ou uma de nossas federadas. Acesse o site e clique no menu superior “Encontre ajuda”, você será redirecionado para filtrar por sua cidade e poderá encontrar quem mais perto pode lhe ajudar!
  • O Diskardec é um serviço de utilidade pública aberto a todas as pessoas e que objetiva, principalmente, o atendimento fraterno por bate-papo (chat) ou telefone, auxiliando quem necessita desabafar ou apenas conversar. É um serviço independente, que funciona com ajuda de voluntários e não está ligado a nenhum Centro Espírita. Trata-se de um serviço gratuito. Não solicitamos doações de qualquer espécie. Qualquer pessoa que se sinta desesperada, desamparada ou simplesmente solitária pode entrar em nosso site e iniciar um bate-papo sem se identificar. Caso deseje também pode telefonar para conversar com um voluntário sob total sigilo e sem custo algum (apenas o da ligação). Nosso telefone: (16) 3630-3232.

Também a Nossa Comunidade DI é um ambiente seguro: somos mais de 800 designers instrucionais no WhatsApp, conversamos sobre a área de Design Instrucional sem nenhum julgamento, pode conversar conosco.

E meu último recado: se você conhece outra forma de ajudar/buscar ajuda, comente abaixo para que todos saibam! Obrigada ❤

6 Comments

  1. Cris Scaini

    Caríssima, Elis! Amo suas postagens. Vc importa! Tudo que vc compartilha, seus conhecimentos e experiências importam. Precisamos de vc !

    Eu tbem sou amante de séries, documentários e filmes. Amo fazer reflexões e análises filosóficas. Mas nunca posto nada! rs. Chorei aqui lendo seu desabafo sobre seus momentos de crise existencial. Me identifiquei contigo, pois não estou numa boa fase. Estou depressiva. A gente vai se acostumando, fingindo que tá tudo bem, que somos fortes, que damos conta de tudo, mas uma hora desabamos. Principalmente nós mulheres, estamos sobrecarregadas e esgotadas.

    Ainda não assisti o documentário, mas sei da existência do livro “Ikigai: Os segredos dos japoneses para uma vida longa e feliz”. A palavra IKIGAI se traduz como “a razão de ser” ou “aqueles objetivos de vida que nos fazem levantar todas as manhãs”. É um estilo de vida que se baseia em harmonia, longevidade e satisfação plena – para que possamos encontrar um propósito para nossa existência.

    Segundo os japoneses, todos nós possuímos um Ikigai em nosso interior e devemos descobri-lo, torna-lo nosso e carrega-lo sempre. É como um objetivo-chave para nos afastar da desesperança e lidar com as adversidades.
    Vc pode descobrir seu Ikigai respondendo essas 4 perguntas e preenchendo a mandala, que contém quatro áreas: 1-O que eu amo fazer; 2-O que eu posso fazer bem feito; 3-O que posso ser pago para fazer; 4-O que o mundo precisa. Atingir o epicentro destas quatro áreas é, por fim, encontrar o Ikigai.

    Caso tenha interesse, pode fazer o teste online e gratuito : https://ikigaitest.com/pt/

    Voltando ao seu relato, vc disse que escolhe 1 dia no mês para não fazer absolutamente nada. Ótima decisão! Está certíssima! Sabe por quê? Porque a vida pede pausa!!!
    Quem tem o poder de parar? Quem tem tempo para pensar? Há alguém que não seja afetado pelo estrépido do mundo moderno? Buzinas de carro, toques de celular, notificações de redes sociais, aviões, músicas, os noticiários nos bombardeiam com uma crise após a outra. Somos constantemente superestimulados e sobrecarregados de tarefas. A rotina nos engole. Essa agitação do dia a dia atrapalha nossos pensamentos e a tomada de decisões.

    Vc fez uma pergunta :por que não conseguimos fazer coisas tão simples?
    Exatamente, por que a maioria das pessoas não consegue dar um tempo, fazer uma pausa, desacelerar?

    Assim como o sinal amarelo do semáforo alerta para diminuirmos a velocidade, o nosso corpo também dá sinais que é hora de reduzir nossos passos. De desacelerar. Muitas das vezes as respostas que buscamos devem ser pescadas nas profundezas do nosso interior. E o que é pescar se não desacelerar?

    De vez em quando eu faço jejum de 1 ou 2 meses das redes sociais. Não assisto noticiário e não tenho interesse em participar de eventos e festas. Prefiro cultivar a quietude, a solitude e o silêncio.

    Precisamos nos acalma. Precisamos desacelerar. Precisamos de pausa. O excesso de informação, de atividade, e principalmente de pensamentos, gera transtorno de ansiedade, o que dificulta refletir com clareza, acarretando cansaço físico e mental.

    Precisamos desenvolver a capacidade de cultivar a quietude e acalmar a agitação dentro de nós, de desacelerar a mente e de compreender nossas próprias emoções.

    Espero ter contribuído.
    Abraços carinhosos
    Cris.

    1. Elis Silva

      Olá, Cris. Muito obrigada pela preciosidade de suas palavras. Amei cada pontinho, chocadaaaa aqui que tem o teste online do ikigai, ameii e já estou com a aba aberta pra fazer ele rsrsrs. Gente, 1 ou 2 meses de pausa? Uau! Admirei, queria conseguir fazer pelo menos 1 semana, um dia chego lá, tu me deu uma esperança.
      É bom ler seu relato de concordância em desalerar, e o cultivo da quietude, pois a impressão que dá nesse mundo atual é que pouca ou nenhuma pessoa pensa nisso: é necessário acalmarmos o coração, a vida é aqui e agora.

      Meu bem, que seus próximos dias sejam iluminados e de calmaria, e vou transcrever novamente o que ouvi na minissérie: “Não importam as circunstâncias ou quanto dinheiro você tem, é possível sobreviver e enfrentar qualquer coisa.”. Sei que o que está sentindo nesses dias só você sabe, mas vai passar, o tempo nos cura!
      E, se precisar, também estou aqui, sentimentos divididos doem menos 💙 Outro abraço carinhoso 🥰

      1. Cris Scaini

        Gratidão, amada! 🥰

  2. Cris Scaini

    Oi,Elis!
    Qual servidor vc usa para criação do seu Blog ?
    Alguma indicação de plataforma?

    1. Elis Silva

      Oi, Cris, Ali no topo, clica em “Conteúdos”, você vai encontrar um post meu sobre como fiz este site-portfólio passo a passo, além da indicação de outro conteúdo que fiz sobre criação e dicas sobre outros sites =)

      1. Cris Scaini

        Valeu, Elis! Vou ver !

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *